terça-feira, 21 de setembro de 2010

As cinco causas do fracasso de projetos

Existem cinco situações que, quando não abertamente discutidas, tendem a levar qualquer iniciativa ao fracasso. São questões cruciais, portanto. Elas são abordadas nos livros "Crucial Confrontations" (ed. McGraw-Hill) e Conversas Decisivas (ed. Campus). Um dos seus autores é Joseph Grenny, que também é fundador da Vital Smarts, empresa de desenvolvimento organizacional que, em parceria com a The Concours Group, realizou o estudo "Silence Fails: The Five Crucial Conversations for Flawless Execution". O objetivo era investigar o porquê da derrocada de muitos projetos e, para isso, mais de 2 mil iniciativas de US$ 10 mil a US$ 1 bilhão foram analisadas.
O relatório da pesquisa salienta que as tecnologias e os sistemas de gestão de projetos evoluíram bastante nas últimas décadas. No entanto, pelo menos dois terços deles não atingem os resultados esperados. Essa proporção poderia ser melhorada, se nos dedicássemos mais às interações que, conforme lemos em Conversas Decisivas, ocorrem entre duas ou mais pessoas em circunstâncias nas quais os riscos são altos, as opiniões diferem e as emoções atuam fortemente.
Embora mereçam livros, palestras e pesquisas, as conversas cruciais fazem parte do dia a dia de qualquer um de nós, mas têm alto impacto sobre nossas vidas. O problema com tais trocas? “Infelizmente, é da natureza humana escapar de discussões que possam nos machucar ou piorar a situação. Somos mestres em evitar essas conversas difíceis”, dizem os autores. Quem nunca enviou um e-mail para esquivar-se do olho no olho?
As cinco barreiras
As cinco conversas cruciais para o sucesso de uma iniciativa são reflexo de cinco obstáculos:
1. Planejamento sem fundamentação em fatos - O problema é enfrentado por 85% dos líderes de projetos, segundo o estudo Silence Fails, que entrevistou mais de 1.000 pessoas de 40 empresas de diversos setores nos Estados Unidos. Os parâmetros dos projetos, como prazos e orçamentos, frequentemente não são definidos pelos próprios líderes da iniciativa, e sim por outros executivos. Com o tempo, as pessoas começam a fraudar o orçamento e, se o líder não tiver uma conversa franca com a equipe e passar a se comprometer com estimativas que sabe ser irreais, a probabilidade de fracasso é alta. Mais de 90% dos líderes de projetos consideraram essa questão difícil ou impossível de ser abordada.

2. Patrocinador ausente - Esse é o problema de 65% dos líderes de projetos: falta de apoio real em instância superior. A equipe, então, expõe-se muito e não tem poder para implantar a iniciativa. Não raro, patrocinadores (sponsors) que deveriam entrar em batalhas políticas deixam os líderes se defendendo sozinhos. Dentre os participantes da pesquisa, 88% dizem que conversas cruciais a esse respeito são difíceis, quando não impossíveis.

3. Prioridades ignoradas - A alta administração ou poderosos stakeholders podem ignorar processos formais de decisão, planejamento e definição de prioridades, como acontece a 83% dos líderes de projetos entrevistados. Afinal, não querem considerações práticas acerca do que têm em mente. São, então, aprovados projetos para os quais não há recursos e a equipe não entrega o resultado almejado. Sua motivação é negativamente afetada. Mais de dois terços dos entrevistados consideram uma discussão em torno desse tema difícil ou impossível.

4. Covardia - Ocorre quando líderes de projetos ou membros de equipe deixam de comunicar riscos detectados, como escassez de material e necessidade de prazo maior para entrega dos resultados. Mais da metade dos líderes revelaram que enfrentam esse problema regularmente. Quando alguém se omite e espera que outro se manifeste antes, para ser culpado pelo problema, está sendo covarde. Quando os líderes agem assim, o status e a revisão do projeto se tornam brincadeira. Todos, nervosos e calados, veem o projeto naufragar. Uma conversa crucial dessa natureza é difícil ou impossível para 13% dos líderes de projetos entrevistados.

5. Erros na equipe - Dentre os líderes de projeto pesquisados, 80% enfrentam essa barreira. Eles geralmente têm mais responsabilidade do que autoridade, pois tentam liderar grupos multifuncionais com pouca ligação hierárquica direta.

Resultado: membros da equipe não comparecem às reuniões, não seguem a programação ou carecem de competência para atingir objetivos ambiciosos. Eles não podem ou não querem participar e apoiar o projeto. Sem autoridade, os líderes deixam de tratar o problema. Conversar sobre isso é difícil ou impossível para 76% deles.
O silêncio fracassa, como o título da pesquisa indica. Às vezes, contudo, precisamos de estatísticas para nos apontar o que, no fundo, constatamos o tempo todo e está na epígrafe do primeiro capítulo de Conversas Decisivas: “O vazio gerado pela falta de comunicação é logo preenchido por veneno, bobagem e distorção” –são palavras do escritor britânico Cyril Northcote Parkinson.

Referências bibliográficas
GRENNY, J. et al. Crucial Conversations: tools for talking when stakes are high. Nova York: McGraw-Hill, 2002.
VITAL SMARTS e THE CONCOURS GROUP. Silence Fails: The Five Crucial Conversations for Flawless Execution. Provo: 2006.
Por Alexandra Delfino de Sousa, administradora de empresas e diretora da Palavra-Mestra

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Conceito de largura de banda para os utilizadores

Mais de oito em cada 10 consumidores asseguram que entendem bem o conceito de largura de banda, embora um terço dos inquiridos continue a acreditar que ver vídeos não abranda a velocidade das suas ligações, de acordo com um inquérito a 1300 utilizadores britânicos dos serviços do ISP Eclipse Internet.
Nove em cada dez utilizadores já sentiram abrandamentos pontuais nas suas ligações à Internet, sendo que, no momento em que ocorreram, 44% desses consumidores estava a ver vídeos através de aplicações de elevado consumo de banda larga, como vídeo-conferência.
De todos os consumidores inquiridos, 72% dizem não ter consultado o seu ISP para tentar entender o impacto de algumas aplicações no desempenho da largura de banda.
Tendo sido realizado pela Eclipse, que olha para os consumidores da forma típica dos ISPs, ou seja, considera que estes tendem a ser confundidos pela tecnologia, o estudo é ele próprio inesperadamente subjectivo quanto aos conceitos-chave.
  • A largura de banda refere-se à capacidade que um consumidor tem de fazer o download de dados a uma determinada taxa; o consumo de dados é o volume de dados que pode ser descarregado dentro de um determinado período; e latência é a capacidade de aceder às aplicações Web sem interrupções significativas.
O problema é que, neste estudo, por vezes são confundidos os conceitos de largura de banda e consumo de dados.
De uma maneira geral, os ISPs têm dificuldades em explicar aos seus clientes a forma como diferentes aplicações podem afectar a velocidade de download, até porque os seus equipamentos foram concebidos para monitorizar o tráfego por protocolo. Uma vez que o vídeo entra nos sistemas pelo porto 80 – a do tráfego corrente – acaba por se perder no meio de um elevado volume de tráfego de navegação. Da mesma forma, muitos jogos online usam agora o porto 80 em vez de abrirem portas específicas através dos firewalls, sendo igualmente difíceis de monitorizar.
Já o consumo de dados será, à partida, mais fácil de monitorizar: ou o utilizador consumiu um determinado volume de dados ou não. A largura de banda – a taxa a que os dados podem ser consumidos – é mais controversa, já que os valores muitas vezes promovidos pelos ISP não correspondem aos reais.
Por isso, Clodagh Murphy, director da Eclipse, considera que “é essencial que todos os ISPs se focalizem numa forma mais transparente, aberta e honesta de vender os seus serviços Internet”.
E, na sua opinião, “isto só pode ser conseguido se os ISP optarem por uma abordagem pró-activa e falarem com os seus clientes acerca das velocidades que realmente estão a obter, o volume de dados que estão a consumir, que tipo de dados mais consomem e quanto ainda têm por consumir, criando assim um nível de confiança elevado entre ambas as partes”.
Esta poderá ser, contudo, uma tarefa difícil de conseguir, tendo em conta que a maioria dos ISPs se limita a gerir os seus utilizadores ao mais reduzido denominador comum de serviço, por que é isso que o seu modelo de negócio exige.
Traindo uma postura algo parcial, Clodagh Murphy adianta que “os utilizadores têm que assumir a responsabilidade pelo que consomem online. Existe uma forte procura por conteúdos populares que conduzem a picos de utilização excessivos, o que pode ter um impacto negativo na percepção que os utilizadores têm da qualidade da sua ligação à Internet”.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Entrevista exclusiva com Jack Dangermond, fundador e presidente da Esri

Um apaixonado por GIS, Jack Dangermond é formado em ciências ambientais pela Faculdade Politécnica da Califórnia, com especialização em planejamento urbano pelo Instituto de Tecnologia da Universidade de Minnesota e em arquitetura paisagista pela Universidade de Harvard. Jack foi o fundador da Esri e é presidente da empresa desde 1969.

InfoGEO: Por que a Esri decidiu mudar este release do ArcGIS, de 9.4 para 10? O que há de realmente novo nesta versão?
Jack Dangermond: Nós decidimos mudar o nome do ArcGIS 10 porque este é um release gigantesco, refletindo mais de meio bilhão de dólares em investimentos e muitos anos de pesquisa e desenvolvimento. É uma versão muito estável, bem documentada e de fácil migração.

Leia íntegra da entrevista exclusiva com Jack Dangermond.
 
Fonte: Mundogeo